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O FLAGRANTEBlogPOLÍTICAHigino Carneiro garante continuar na corrida à liderança do MPLA

Higino Carneiro garante continuar na corrida à liderança do MPLA

O Comité Central do MPLA anulou a candidatura de Higino Carneiro à liderança do partido e decidiu instaurar-lhe um processo disciplinar por alegada falsificação de documentos.

A decisão foi tomada na quarta-feira, 21, em reunião do Comité Central, que analisou o recurso apresentado pelo general contra o chumbo da sua candidatura.

Em resposta, Higino Carneiro reagiu com um comunicado no qual afirma não desistir, apesar das peripécias que tem enfrentado desde que tornou pública a sua intenção de concorrer à presidência do partido.

Confira a reacção na íntegra:

A vossa confiança é a minha responsabilidade. A vossa esperança merece a minha determinação.

Compatriotas,

Militantes do MPLA,

Caros amigos e todos os angolanos que me têm escrito, telefonado e manifestado a sua solidariedade,

Desde a decisão de anulação da minha candidatura à liderança do MPLA, mantida na reunião do Comité Central de 21 de Outubro, tenho recebido inúmeras mensagens de apoio, encorajamento e confiança.

Muitas resumem-se a duas palavras: “Não desista!” Outras dizem: “Continuamos firmes consigo”, “Estamos consigo”, “Não nos abandone”.

Li essas palavras com emoção, humildade e um profundo sentido de responsabilidade.

A cada subscritor da minha candidatura, a cada militante que acreditou nesta iniciativa e a todos os cidadãos que me manifestaram solidariedade, expresso a minha sincera gratidão.

Uma palavra de especial reconhecimento dirijo a todos os que integram a equipa de trabalho desta candidatura e que, nas diferentes províncias do nosso país, dedicaram o seu tempo, esforço e empenho a esta iniciativa. O vosso trabalho, muitas vezes discreto e silencioso, merece o meu respeito e profundo agradecimento.

Digo-vos, com a sinceridade que este momento exige, que vos oiço e compreendo o significado da confiança que em mim depositastes. Não a considero um privilégio. Considero-a uma responsabilidade.

Ao longo de mais de cinquenta anos, dei o melhor de mim ao MPLA, a Angola e aos angolanos. Fi-lo em diferentes circunstâncias, nos momentos de esperança e nos momentos de dificuldade, movido pela convicção de que a política deve ser, acima de tudo, um instrumento de serviço ao povo e de construção de um futuro melhor para o nosso país. Em todos eles, procurei manter o sentido do dever, a disciplina, a lealdade e o compromisso com o nosso país.

Não evoco este percurso para reclamar qualquer tratamento especial. Faço-o porque uma vida de serviço ensina que nenhuma circunstância nos deve colocar acima dos princípios que afirmamos defender.

Aos militantes do MPLA, reafirmo uma convicção que sempre considerei essencial: a divergência não deve ser confundida com inimizade, e a fidelidade a um partido não exige a renúncia ao pensamento próprio. É também por isso que apelo à serenidade de todos.

A democracia interna exige que a participação dos militantes seja assegurada por regras claras, procedimentos transparentes e condições de igualdade.

O respeito pelos Estatutos não se esgota na sua invocação. Exige a sua aplicação coerente, em todas as circunstâncias e perante todos os militantes.

As divergências devem ser entendidas e discutidas no quadro das instituições partidárias, com respeito pela pluralidade de pensamento, pelo direito de participação e pela dignidade de cada camarada.

Não vos prometerei decisões precipitadas, tomadas sob a pressão da emoção ou das circunstâncias. Seria injusto para convosco e contrário ao sentido de responsabilidade que sempre procurei observar.

Mas também não vos dirijo uma mensagem de despedida. Ela não corresponde ao que penso nem ao que sinto neste momento.

Não posso antecipar hoje todas as decisões que o futuro poderá exigir. Posso, contudo, assegurar-vos que continuarei a ouvir, a reflectir e a avaliar os caminhos que se apresentam, com serenidade, consciência e respeito pelas responsabilidades que me cabem.

A política não se resume aos cargos, às decisões dos órgãos ou às circunstâncias de uma candidatura. É também uma relação de confiança, de princípios e de responsabilidade perante as pessoas.

A vossa confiança não me dá o direito de agir irreflectidamente, mas também não me permite tratar como irrelevante aquilo em que acreditais e pelo qual vos mobilizastes.

Aos que me dizem “não desista”, respondo com sinceridade: EU TAMBÉM NÃO DESISTO. Não abandonei as minhas convicções, não renunciei à defesa da minha dignidade e da minha honra e não considero terminada a responsabilidade que sinto perante aqueles que em mim confiaram.

Uma candidatura pode ser anulada. Uma iniciativa pode ser impedida por uma decisão. Mas nenhuma dessas circunstâncias apaga uma vida de serviço, nem dispensa a responsabilidade de enfrentar o presente com dignidade e coragem.

O meu compromisso com Angola e com os angolanos permanece. A minha história não termina aqui.

Continuarei a defender os meus princípios, a pluralidade de ideias, o reforço da democracia interna e os valores que conformam a origem e a história do MPLA.

Muito obrigado pela vossa confiança.

Muito obrigado por caminharem comigo nesta epopeia.

A vossa voz foi ouvida, a vossa confiança foi compreendida. E a responsabilidade que partilhamos não será tratada com ligeireza.

A vossa esperança merece a minha determinação.

Que Deus abençoe Angola.

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