As alterações climáticas representam um dos maiores desafios ambientais da humanidade no século XXI. São mudanças significativas e prolongadas nos padrões climáticos do planeta, marcadas pelo aumento das temperaturas globais, alteração do regime de chuvas, secas severas, inundações, tempestades intensas e outros fenómenos extremos que afectam directamente os ecossistemas e a vida humana.
Embora o clima da Terra sempre tenha sofrido variações naturais, a aceleração actual está fortemente associada à acção humana, sobretudo à emissão excessiva de gases com efeito de estufa.
Trata-se de uma ameaça global com impactos profundos no ambiente, na economia, na saúde pública, na segurança alimentar e na estabilidade social. Um fenómeno que exige respostas urgentes, coordenadas e sustentáveis, envolvendo governos, instituições, organizações da sociedade civil e cidadãos.
As alterações climáticas ocorrem, principalmente, devido ao aumento da concentração de gases com efeito de estufa na atmosfera, como o dióxido de carbono (CO2), o metano e os óxidos de azoto. Estes gases impedem que parte do calor solar retorne ao espaço, provocando o aquecimento global.
Entre as principais causas destacam-se a queima de combustíveis fósseis, o desmatamento, as queimadas descontroladas, a poluição industrial, o crescimento urbano desordenado e a exploração inadequada dos recursos naturais.
O desmatamento é um dos factores mais preocupantes, pois as florestas desempenham um papel fundamental na absorção do CO2. Quando as árvores são cortadas ou queimadas, para além de se reduzir a capacidade natural de absorção de carbono, libertam-se grandes quantidades de gases poluentes. As queimadas, frequentemente utilizadas para limpeza de terrenos agrícolas, agravam ainda mais a situação.
Os impactos já são visíveis em diversas partes do mundo e Angola não é excepção. Destacam-se o aumento das temperaturas, a irregularidade das chuvas, a desertificação, a degradação dos solos, a escassez de água, a perda da biodiversidade e o aumento da frequência de fenómenos extremos.
No campo social e económico, provocam insegurança alimentar, quebra da produtividade agrícola, aumento da pobreza, deslocamento de populações e pressão sobre os serviços públicos.
Em Angola, os efeitos são cada vez mais evidentes. As províncias do sul, particularmente Cunene, Namibe e Cuando, enfrentam períodos prolongados de seca que afectam gravemente a agricultura, a pecuária e o abastecimento de água. Em simultâneo, outras regiões registam chuvas intensas e inundações, com perdas humanas e destruição de infra-estruturas.
A situação é agravada pela ocupação desordenada do solo, insuficiência de sistemas de drenagem, acumulação de resíduos sólidos e redução de áreas verdes nas cidades.
Para a Minuto Verde, a prevenção e mitigação exigem acções concretas e sustentáveis: reflorestação, preservação das florestas, combate às queimadas, gestão sustentável dos recursos naturais, promoção da educação ambiental e incentivo ao uso de energias renováveis.
É fundamental investir em sistemas de adaptação climática, com drenagem adequada, programas de gestão de riscos, agricultura resiliente ao clima e protecção das bacias hidrográficas.
O combate às alterações climáticas não depende apenas do Governo. Cada cidadão tem um papel importante, com acções diárias como evitar queimadas, reduzir a poluição, plantar árvores, preservar os recursos hídricos e fazer a gestão correcta dos resíduos.
As alterações climáticas não são apenas um problema ambiental, mas uma questão de sobrevivência humana e de desenvolvimento sustentável. Proteger o ambiente é proteger a vida.
A Minuto Verde – Organização Não-Governamental Ambiental reafirma, assim, o seu compromisso na promoção da educação ambiental, sensibilização comunitária e defesa de políticas sustentáveis capazes de fortalecer a resiliência climática em Angola.





